quinta-feira, 26 de agosto de 2010

leve vento em lamento


aquelas partes minhas
que se perderam
agora em meu corpo
de sons e ressonâncias ocas
se perdem mais

quando em mórbidas paixões
me despedaçam
em sopros espiralados
fico num interrogar:
ele me ama?
“Isso agora tanto faz!”

pois queria tê-lo em mim
mas vem só um gelado vento
soprando em meus ouvidos em lamento:
“dor absurda sem fim”
de que adianta a resposta ser um sim ?

2 comentários:

Bruno Oliveira disse...

Hummm... Andou relendo Florbela Espanca, hein, Bessa?

Sinto a dor, a carência que o eu-lírico sente (de si mesmo e) do outro. Abstinência física é martírio, certamente.

E o sim simplório não adianta, só atrasa; prolongando o sofrimento, se tornando assim um lamento... Falta algo mais palpável nesse sim, tu sabes bem, falta presença... Eh, tu andou lendo a poetisa portuguesa!

Forte abraço!!

Alessandra Zelinda Bessa disse...

Raramente leio Florbela Espanca... li portanto aquela que não quero ler.. mas sempre a leio, "Angustia"...

Abraços